quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Acordando

Que dia terrível, acordei fui ao supermercado, um desses de grande rede, nojentos, fui.
Acordei para ter um dia terrível, foi isso.  Sem net, nem joguei, e ainda por cima tinha a Branca para me dizer como me alimentar; beber menos, comer mais, fumar menos, tomar mais água, saco ...
Tive que ir trabalhar, peguei o ônibus, enquanto lia o Uivo do Ginsbesg um filha da puta metia o funk na maior altura dentro do ônibus, será que aquele miserável não sabe a diferença entre público e privado??? Me irritei, me senti um desgraçado, um milho da merda, o ônibus era a merda e eu o milho viajando nos intestinos da cidade, quanto mais gente entrava, pior cheirava aquela porra.
Cheguei no trabalho, seis horas intermináveis para mim ... quem me salvou foi o Frank, esse maldito demônio irlandês quando resolveu tomar uma comigo, alcoólatra que nunca consegue dizer não as cervejas. Maldito!
Tomamos algumas na companhia da deliciosa Agnes, do Paulista e Cia Ltda, decidimos que merecíamos um pouco mais para continuar, então compramos algumas Heinekens e fui para casa.
Não aguentei meu quarto nojento e fétido no qual vivo agora, aquela merda quase me fez vomitar, por isso resolvi ir para a rua, beber com um vadios, bêbados e viciados que povoam o centro dessa porra de cidade. Fui para um bar ao lado de um lugar onde rola sexo ao vivo com  participação do público, ao entrar só rolava música da pior qualidade por isso decidi gastar meus poucos reais em música na junkebox. Bebi o que me foi possível e fui para outro bar bem mais fuleiro, minha sina, esses lugares escatológicos.
Então encontrei meus vizinhos gays no lugar, gente excluída o suficiente para conversar comigo, falei sobre a vida, sentimentos, razões da alma e coisas assim.
Quando eram aproximadamente cinco da manha voltei para casa, bêbado como um verme desses que perambulam pelas cidades, encontrei algo que me mexeu com minha alma e sentimentos... o filha da puta do meu irmão tinha uma filha nos braços, aquilo mexeu com todas as minhas emoções.
Sei que nunca vou ter nada parecido, jamais vou ter alguém em quem olhar e me reconhecer, isso me desumaniza, me torna qualquer coisa menos algo pertencente a raça humana. Chorei feito uma criança, sem pai nem mãe no mundo. Clara é o nome dela, esse ser que me botou em meu lugar. Mal nasceu e já destruiu minha carapaça, bem que podia destruir meus demônios, mas isso e algo que nem Deus pode fazer.

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