Um dia ela me ligou - "oi" - ela disse - oi - eu disse todo tremulo, ela disse que queria me ver, fui até onde ela estava, quase correndo, tanto que cheguei meio suado e fedendo, entrei na livraria e a vi entre livros empoeirados, por um momento fiquei em dúvida se meu coração batia demais ou se tinha parado, fui até ela e disse - olá - ela sorriu, exitei em me aproximar mais, a aliança dela me cegava, me perfurava, vil metal, com o sangue correndo a todo vapor beijei-a no rosto. Conversamos um pouco, ali entre livros e decidimos ir a minha casa, que na época ainda era no centro, morava em um cubículo que mal cabia minha cama, o apartamento ainda era habitado por mais cinco pessoas, todos homens, estudantes que passavam o tempo torrando a grana dos pais em festas intermináveis. Ela entrou e fiquei um tempo a contempla-la, buscava entender por que amava aquele ser, ela tinha cabelos louramente pintados, era possível ver que ela gastava um tanto substancial de dinheiro na manutenção de sua aparência. Ela começou a falar das angustias e alegrias de sua vida socialmente perfeita, eu a ouvi e falei um pouco de mim. Quando já estava próximo de sua volta ao seio familiar eu a abracei, nos beijamos, era algo que queria a tanto tempo, nossa, como sua rosa boca tinha gosto e textura deliciosas, era bem como me lembrava, minha vontade foi de rasgar suas roupas e penetrar em todos os seus orifícios e vê-la gozar até seu corpo se contorcer. Disse que a amava - "eu te amo" - ela me disse. Mas ela foi embora, não sem antes dizer que poderia nunca mais entrar em contato. Fiquei olhado ela ir embora balançando de forma graciosamente desastrada aquele rabo delicioso dentro do jeans.
Quando a vi soube que tinha que tomar uma decisão, estava em cima de um prédio, eu só tinha duas opções, saltar ou voltar, saltei, na queda livre que são as emoções, disposto a ter que recuperar do arrebentamento resultante.
Durante alguns meses ela me fez visitas com certa regularidade, fazíamos um sexo delicioso, ela me dizia que eu era o melhor sexo da vida dela, ela fica linda se contorcendo no ato. Conversávamos longamente quase todos os dias, sobre nós mesmos, nossas vidas, discutíamos diversas ideias e conceitos e riamos muito, como crianças. Mas eu sabia que essa alegria seria curta porque essa relação é imoral, pois é uma relação que tem como base algo que não é externo a nós mesmos, uma alegria pela qual ninguém pagou em moeda corrente, ninguém tem esse direito de sentir-se bem sem o dinheiro, sem o status, sem o conforto. Colocado nesses termos, o que nos moveu emanava apenas dos nossos corpos e de nossas ideias, tanto que a maior parte do nosso tempo juntos estávamos nus e conversando.
Quando o dia da despedida chegou, eu estava disposto a agredir essa mulher, desejava estuprar aqueles ouvidos, tinha que ser pessoalmente, não por telefone como ela queria naquela noite fria. Queria olhar nos olhos dela e dizer que ela é uma putinha, uma lagosta que um velho paga, come e não questiona se e a lagosta gosta dele ou não, um quadro, um belíssimo ornamento para se colocar na sala, queria dizer o quanto ela é fraca, incapaz de estar nesse mundo por si, mesmo cheia de predicados, uma inútil que se não fosse aquela buceta rosa ela não existiria como ela é hoje. Queria dizer que ela é uma traidora, que felizmente eu não sou o marido dela, o traído, porque prefiro amar uma mulher e não te-la do que ter uma mulher que quer a outros, claro não devo ser ingenuo e pesar que sou o único. Que ela merece toda essa vida, não eu, pois fachada não é meu modo de vida, com dedo em riste queria apontar aquele esteriótipo que ela vive e é.
Mas quando eu abri o portão, eu perdi. De frente para ela eu só vejo alguém que amo, que também me ama e que assim como eu também ama o mundo, quer o mundo e vai ter o mundo não importa o preço. Então eu entreguei meu amor para o mundo, pois eu vi que o amor é algo de uma natureza diferente, ele existe indiferente as barreiras geográficas e sociais, talvez, até a importante união dos corpos. O desconforto causado pela ausência de quem se deseja é uma forma de viver o amor, isso parece absurdo, mas, o amor existe mesmo quando o outro se vai, não há nada a se fazer, se um dia revê-la provavelmente será a mesma coisa, meu corpo ira falar, me denunciando no delito de amar, de graça. Deixei ela ir, fui com ela até o portão, nos beijamos, meu coração estava ali, ela se foi, rebolando dentro jeans. Quando fechei o portão tinha a certeza de ter alcancado o chão, a queda livre tinha acabado, o salto foi bom de novo, me arrebentou de novo, a dor em meu coração era o sinal de minha perturbação. Enlouquecido liguei para Lorena, precisava de consolo, ela me veio a mente porque eu tava afim de fuder tudo, estravazar, fazer sacanagens, ela faz um sexo louco, goza até chorar e fica linda chamando meu nome e dizendo "pila não, pila não". Nos embriagamos, bebi muito conhaque, mas la pelas tantas da madrugada Lorena enlouquece, me bate na cara, ela sempre foi descontrolada quando bebe, mas passou dos limites, paguei a conta, e ela ficou mais nervosa ainda porque eu quis deixa-la sozinha no bar e ela não tinha lugar onde passar a noite, já que estava na cidade apenas por minha causa. Fomos para minha casa, comemos uma omelete, não quis mais transar, estava irritado, ela dormiu no desconfortável sofá da sala junto com cadela da casa. Assim que saiu, logo pela manha, Ana me liga, dizendo estar próximo de minha casa fazendo um curso e que estava querendo me ver, disse que viesse, ela entrou pois encontrou o portão aberto, chegou no meu quarto, eu estava deitado, pois ainda fazia frio, ela tirou sua roupa, aninhou-se e eu disse: quero comer o seu cú, ela olhou para traz e empinou sua bundinha, estava com raiva, esfolei seu rabo até a exaustão, depois dela exaurida gozei em sua boca. Nenhuma fuga tirou um pouco da dor, mesmo assim continuei a beber, minhas atividades aqui não tem sentido, saio de cena agora, de novo, decidido a não voltar enquanto ela permanecer na cidade ou até o tempo curar as feridas da queda.
